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A MAJESTADE SOBERANA – Compreendendo o Calvinismo

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Texto bíblico base: Efésios 1:3-6

Introdução

Muitos cristãos ouvem falar em Calvinismo e pensam apenas em polêmica: predestinação, escolha, salvação ou rejeição. Mas, quando olhamos para a Palavra, o foco central não é o debate, mas a majestade soberana de Deus que age para salvar pecadores. Hoje vamos refletir sobre como essa doutrina aponta para a grandeza de Deus e nos consola na vida cristã.

Para compreender a soberania de Deus, vamos explorar três aspectos essenciais: a condição humana, a iniciativa divina e a certeza da salvação.

1. Nossa total dependência da graça

Romanos 3:10-12 declara: “Não há justo, nem um sequer…”. Nessa passagem, o apóstolo Paulo levanta uma acusação universal contra toda a humanidade. Ele cita os Salmos para construir um verdadeiro tribunal divino, onde cada pessoa é declarada culpada diante da santidade de Deus. A construção grega usada por Paulo, oudé heis (“nem mesmo um”), não é mera estatística, mas uma verdade absoluta: em essência, todos estamos espiritualmente afastados da justiça de Deus. O verbo ekzeteo, traduzido como “buscar”, indica uma busca diligente e persistente — e Paulo mostra que essa busca simplesmente não existe no coração natural do homem.

O ensino da Depravação Total não afirma que o ser humano seja tão mau quanto pode ser, mas que o pecado contaminou todas as áreas da vida: mente, emoções, vontade e corpo. Como uma gota de tinta que se espalha por um copo de água, a corrupção se estendeu de forma abrangente, de modo que nenhuma dimensão da existência humana permanece intocada. Não somos moralmente neutros, prontos a escolher entre o bem e o mal; somos, por natureza, inclinados contra Deus.

Essa realidade pode ser ilustrada de forma simples. Imagine um homem que caiu em um poço profundo. Ele pode gritar por socorro e até mesmo estender os braços para cima, mas não pode sair sozinho. Precisa que alguém de fora desça uma corda e o puxe para cima. Sua cooperação é limitada a agarrar a corda, mas a iniciativa e o poder vêm totalmente de fora. Assim é nossa condição espiritual: podemos ter lampejos de desejo por algo maior, mas a salvação deve vir de Deus.

João Calvino resumiu isso ao afirmar que “a vontade humana não é destruída pelo pecado, mas tão pervertida e corrompida que não pode produzir nada além do mal”. Da mesma forma, Charles Spurgeon reforçou que a depravação total significa que o mal se estendeu a todas as partes do homem, não havendo nele nada espiritualmente puro. Essas vozes históricas apenas ecoam a clareza das Escrituras: sem a graça, o homem não busca a Deus por conta própria.

Reconhecer essa verdade não deve nos levar ao desespero, mas à humildade. Saber que nada em nós mesmos pode conquistar a salvação nos livra do orgulho espiritual e nos convida a uma dependência total da graça. Esse reconhecimento abre espaço para a gratidão, pois entendemos que Deus tomou a iniciativa de nos buscar quando estávamos perdidos.

2. A escolha soberana de Deus

Efésios 1:4-5 declara: “Nos escolheu nele antes da fundação do mundo…”. Essa afirmação revela a base da Eleição Incondicional, segundo a qual Deus nos chamou não por méritos, mas por seu amor e propósito eterno. O verbo grego eklegomai (escolher) carrega a ideia de seleção intencional, feita com objetivo definido. Paulo ainda acrescenta que fomos “predestinados para adoção de filhos”, mostrando que a eleição não é apenas um decreto distante, mas uma decisão amorosa e relacional, fruto do beneplácito da vontade divina.

Esse ensino não significa fatalismo nem negação da responsabilidade humana. Pelo contrário, a eleição não anula a resposta da fé, mas estabelece que a salvação é, antes de tudo, obra da graça de Deus, e não das obras humanas. Como explicou Jonathan Edwards: “Quando Deus escolheu os eleitos, Ele os escolheu não por qualquer bondade neles, ou prevista neles, mas por Sua mera boa vontade, para que Sua graça fosse manifestada e glorificada.” Essa visão afasta a insegurança espiritual e oferece descanso: se dependesse de nós, nossa salvação estaria sujeita à instabilidade do coração humano, mas como depende do caráter imutável de Deus, temos plena confiança.

A história da igreja reforça esse entendimento. No Sínodo de Dort (1618-1619), a eleição foi afirmada como parte central da fé reformada, destacando que Deus escolhe não pela previsão de obras, mas por sua vontade soberana. Mais tarde, no século XVIII, Jonathan Edwards reiterou a mesma verdade em seus sermões, enfatizando que a soberania divina não elimina a responsabilidade do homem, mas evidencia a necessidade absoluta da intervenção de Deus.

Para ilustrar, a eleição é como um arquiteto que desenha o projeto antes de colocar a primeira pedra: a casa só existe porque já foi planejada. Da mesma forma, nossa vida em Cristo existe porque foi sonhada e determinada por Deus desde a eternidade. O teólogo Arthur W. Pink resumiu assim: “A eleição é o beneplácito de Deus pelo qual Ele escolheu, antes da fundação do mundo, um número definido de pecadores para serem os receptores de Sua graça especial e os objetos de Sua salvação eterna.”

Essa doutrina, longe de produzir orgulho ou passividade, deve gerar segurança e gratidão. Se fomos escolhidos em Cristo antes da fundação do mundo, não precisamos viver ansiosos nem inseguros quanto ao amor divino. O convite é simples e profundo: em vez de perguntar “Será que Deus me ama?”, podemos afirmar com confiança: “Ele já me amava antes que eu existisse.” A resposta prática é descansar em seu caráter imutável e viver em santidade e missão, como filhos adotados que refletem a glória do Pai.

3. A perseverança sustentada pelo amor divino

Em João 10:27-28, Jesus afirma: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz, eu as conheço, e elas me seguem; eu lhes dou a vida eterna, jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão.” A imagem do pastor e das ovelhas revela a intimidade, o cuidado e a firmeza com que Cristo guarda os seus. A promessa é dupla: a vida eterna já recebida no presente e a segurança inabalável de que nenhum poder humano ou espiritual pode desfazer a obra de Deus. A expressão “ninguém as arrebatará” transmite a ideia de uma força irresistível, como a mão firme de um pastor que protege suas ovelhas de qualquer ameaça.

A doutrina da Perseverança dos Santos afirma que aqueles que foram verdadeiramente regenerados e selados pelo Espírito Santo serão guardados até o fim. Isso não significa ausência de quedas ou lutas espirituais, mas certeza de que a obra iniciada por Deus não será interrompida. Hebreus 12:2 reforça essa verdade ao declarar que Cristo é o “autor e consumador da fé”. Como destacou John Flavel, “a segurança do crente reside nesta dupla causa: a intercessão de Cristo no céu e a habitação do Espírito na terra. Um está orando por nós, e o outro está trabalhando em nós.” Assim, a perseverança não é licença para pecar, mas incentivo a viver em gratidão, oração e santidade, sabendo que somos sustentados pelo amor fiel de Deus.

A história da igreja confirma isso. Os huguenotes na França, perseguidos nos séculos XVI e XVII, enfrentaram massacres e exílios, mas perseveraram na fé. Sua resistência mostra que a perseverança não é apenas teoria, mas realidade vivida em meio ao sofrimento. Em tempos modernos, o resgate da caverna da Tailândia em 2018 se tornou uma parábola contemporânea: aqueles meninos estavam presos em escuridão profunda, incapazes de se salvar. Sua libertação dependia totalmente da perseverança e habilidade dos que os resgatavam. Assim também nossa perseverança espiritual não é fruto de autossuficiência, mas da mão firme do “Resgatador” que não desiste de nós.

Teólogos ao longo da história ressaltaram a mesma verdade. Sinclair Ferguson afirmou: “A perseverança dos santos não significa que não cairemos. Significa que, quando cairmos, cairemos nos braços eternos de Deus.” Charles Spurgeon lembrava que, se fosse possível a perda da salvação, todos a perderiam; mas como Deus é fiel, nenhum dos que Ele ama será abandonado. Já J. I. Packer destacou que perseverança é a evidência da fé verdadeira: começamos em Cristo e permanecemos nEle até o fim.

Diante disso, surge a pergunta: se Cristo prometeu que ninguém pode arrebatar suas ovelhas de sua mão, por que tantos ainda vivem inseguros quanto à sua salvação? A resposta está em aprender a confiar menos em nossos sentimentos e mais nas promessas objetivas da Palavra. Por isso, o desafio é claro: viver com confiança e gratidão, não com medo constante. Se o Senhor já garantiu nossa segurança eterna, cabe a nós perseverar em oração, santidade e missão, crendo que, mesmo em nossas quedas, caímos nos braços eternos de Deus.

Conclusão

O Calvinismo, quando bem compreendido, não é motivo de divisão, mas de adoração. Ele nos lembra que: Somos totalmente dependentes da graça. Fomos escolhidos em Cristo por amor. Somos guardados até o fim por aquele que é fiel.

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SOBRE O AUTOR:
Josias Moura de Menezes

Possui formação em Teologia,  Análise e Desenvolvimento de Sistemas e Licenciatura em Matemática. É especialista em Marketing Digital, Produção de Conteúdo Digital para Internet, Tecnologias de Aprendizagem a Distância, Inteligência Artificial e Jornalismo Digital, além de ser Mestre em Teologia. Dedica-se à ministração de cursos de capacitação profissional e treinamentos online em diversas áreas. Para mais informações sobre o autor veja: 🔗Currículo – Professor Josias Moura

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