Estudo Bíblico para a Escola dominical da Igreja do Betel Brasileiro Geisel. Tema: Vencendo o gigante da Luxúria.

Vencendo o gigante da Luxúria

Gálatas

Em sua opinião, antigamente as pessoas eram mais, ou menos maliciosas do que hoje?

O assunto do estudo de hoje é "luxúria", uma palavra com muitos sinônimos que descrevem um mesmo e velho pecado. Para começo de conversa, busquemos definições do dicionário para três palavras que estão relacionadas:

  • Luxúria: incontinência, lascívia, sensualidade, dissolução, corrupção, libertinagem;
  • Lascívia: luxúria, libertinagem, sensualidade;
  • Libertinagem: devassidão. O termo "libertinagem" é explicado da seguinte maneira, em nota da Nova Versão Internacional da Bíblia: "ato de viver somente para o prazer próprio, de esbanjar a vida em prazeres tolos ou perversos".

Breve Análise do Texto

Nas variadas versões da Bíblia, há textos onde uma mesma palavra foi traduzida para o nosso idioma com uma ou outra dessas palavras acima. Por exemplo, em Gálatas aparece a palavra lascívia (na edição Almeida Atualizada), e luxúria, com esta mesa idéia de uma vida sem regras e entregue às paixões desenfreadas, onde o corpo é consumido no prazer, sem levar em conta as conseqüências.

Comentando Gálatas , G. Hendriksen afirma que os três vícios aí mencionados "têm um significado distinto, contudo, os três vícios têm algo em comum, a saber, um desvio da vontade de Deus quanto ao sexo".

Temos, na Bíblia, um livro voltado para a experiência da sexualidade humana – Cântico dos Cânticos. Mas ali, como de resto em toda a Bíblia, a sexualidade está colocada dentro de um plano de tal forma elaborado, que a vida humana cresce em dignidade e o sexo ganha em beleza e em sentido. Porém, o que temos na sociedade atual difere bastante da conduta digna e bela na qual o ser humano deveria viver. Há, portanto, grave contraste entre as opções das pessoas e o projeto divino para a vida sexual humana. Há a diferença entre luxúria e dignidade humana na sexualidade.

Ao inserir-se nessa questão, é importante levar em consideração o seguinte:

Tópicos para Reflexão

1. UM MUNDO EM BUSCA DE PRAZER

Não precisamos e não devemos ficar com falso saudosismo, sempre a dizer: "Ah, anti­gamente não era assim…" Em que pese toda a malícia humana que cresce e aparece, há muitos aspectos que são quase que perma­nentes na história da raça humana, e outras coisas são mais ou menos recorrentes (veja Os. 4).

Homens e mulheres sempre estiveram em busca do prazer. Há muitas coisas que podem dar prazer. No presente estudo, desta­ca-se o sexo. A luxúria é o abuso do sexo, quando não se contém e não se controla, mas se corrompe e vive dissolutamente.

Uma das principais características desse tipo de vida é o individualismo. Aí o sexo é usado de forma a satisfazer os apetites de uma única pessoa. Não há uma preocupação mí­nima com a outra pessoa.

Outra característica da luxúria é a multipli­cação das relações sexuais, como se muito sexo com muitas pessoas diferentes capaci­tasse o ser humano a tornar-se melhor; como se o homem fosse mais masculino e a mulher mais feminina com a multiplicação das rela­ções.

Uma terceira característica é que a prática sexual se torna insaciável. O ser humano não se contém, nunca está satisfeito e pensa no sexo como se fosse capaz de lhe trazer res­postas e dignidade; então, nunca para. Ainda outro ponto, é que essas relações tendem a ser efêmeras. São passageiras, aleatórias e sem qualquer compromisso, pois não há o respeito de convivência.

O livro de Apocalipse nos apresenta a que­da da grande Babilônia, o império que domi­nava e oprimia as pessoas. Riquíssimo e po­deroso, deixou-se perder na luxúria (a pala­vra aparece 3 vezes em Apocalipse 18). A der­rota, o enfraquecimento moral, a queda são precedidos por uma vida de luxúria.

2. UM PROJETO DIVINO PARA O SER HUMANO E PARA O MUNDO

No livro da criação, Gênesis, encontra­mos, de modo muito claro, que Deus criou o ser humano macho e fêmea (Gn ,28). Há alguns destaques que devemos fazer com re­lação ao assunto:

  • Deus criou o ser humano à sua imagem e semelhança. Não é o homem (macho) nem a mulher (fêmea) que isoladamente são apre­sentados como imagem de Deus. Deus criou homem e mulher como seres iguais em es­sência.
  • O ser humano, dividido entre homens e mulheres essencialmente iguais, é diferente em determinados aspectos. Estas diferenças não significam superioridade ou inferiorida­de de um ou outro, mas existem para que ho­mem e mulher se complementem, se comple­tem. E, aqui, a sexualidade humana exerce um papel fundamental. Um aspecto físico des­sa complementação que uma parte significa para a outra, é a reprodução humana. Para a geração de uma vida, é necessário o concur­so do homem e da mulher.
  • A sexualidade, embora sendo parte da reprodução humana, não pode ser resumida aos aspectos físicos exclusivamente. Isto é, a sexualidade não se refere unicamente aos ór­gãos sexuais ou órgãos genitais. Conforme o projeto de Deus, são necessários uma mulher e um homem para a reprodução. Porém, deve-se levar em conta que o ser humano é com­posto de outras partes que se integram, além da sexualidade. Então, a relação entre os se­xos deve também ter outros aspectos, pois, ao ser humano foi dado o privilégio de ter imagem divina, de dominar sobre a terra, de comunicar-se etc. A prática sexual deve, necessariamente, estar ligada ao amor, ao cari­nho, à afetividade e ao compromisso.

3. UM DESAFIO À IGREJA

Porque somos cristãos e conhecemos o projeto divino para o ser humano e vivemos em uma sociedade que se distancia desse projeto, devemos considerar a tão grande res­ponsabilidade que a igreja de Jesus Cristo tem perante a sociedade e diante do Deus Eterno que nos chamou para uma missão no mun­do. Pois bem, apresentar o desejo divino para a raça humana no que concerne à sexualida­de faz parte da missão integral da igreja.

Al­guns quesitos são aqui propostos:

  • Ter uma visão bíblica clara e correta do cor­po humano é fundamental. Devemos erradicar do pensamento cristão a idéia de que o corpo é mau e serve apenas de prisão para uma alma boa que deve voltar-se para Deus. Esta idéia é dos gregos antigos e não é encontrada na Bí­blia. Na teologia bíblica, o corpo foi criado por Deus tão bom quanto a parte espiritual. Aliás, para o pensamento hebreu, nem há di­visão entre parte material e parte espiritual. O ser humano é perfeitamente uno, integral, numa perfeita unidade: corpo e alma.
  • A igreja deve apresentar um claro ensi­no sobre a sexualidade, a partir da sadia dou­trina do corpo humano. Não é possível deixar de falar em sexo com nossos jovens, adoles­centes, crianças e adultos. Devemos derru­bar tabus para que, aprendendo com uma boa teologia bíblica evangélica, nossos irmãos e irmãs não descubram sobre sexualidade coi­sas distorcidas, como está cheio na televisão, no rádio, nas rodinhas de bate-papo, nos jor­nais e nas revistas especializadas (em que pese haver coisas boas aí, eventualmente).
  • É preciso deixar muito claro que a ativi­dade sexual envolve o carinho, a afetividade, o amor e o compromisso entre as pessoas. Este ensino é importante nos dias atuais, em que a moda é "ficar" (como dizem os adolescentes e jovens) apenas para desfrutar de um prazer eventual e passageiro (às vezes com graves conseqüências), mesmo sem conhe­cimento prévio do parceiro ou da parceira -prática da luxúria.
  • A igreja deve ser um espaço de acolhi­mento, amparo e orientação para aquelas pes­soas que, porventura, despencaram na vida emocional e sexual. Muitas vezes agimos mais como punidores e torturadores do que como pessoas amorosas, que amparam e ajudam os outros a levantar, para andar melhor.
  • A igreja deve ter uma clara percepção da ação divina nela e através dela, pois é a ação de Deus que nos capacita a deixar as "obras da carne" e produzir o "fruto do Espírito" (Gl ). Portanto, forças para agir de modo diferente do mundo vêm de Deus, não de nós mesmos (Rm ).
  • A igreja, dirigida pelo Espírito de Jesus Cristo, não pode ter medo ou vergonha de apresentar ao mundo o contraste da Palavra de Deus em relação ao que se faz hoje. Para­lela à ação dentro dos próprios muros eclesi­ásticos, deve-se ter uma ação externa que confronte o mundo e provoque mudanças (Rm 12.2).

Reflexão Pessoal

1. O que você pode fazer, em sua vida pessoal, acerca dos programas de televisão, músicas ou literatura que incentivam a luxúria?

2. Você tem cultivado uma sexualidade conforme os padrões bíblicos?

3. Você acha que, em determinados casos, o indivíduo deve procurar ajuda para tratar o problema da luxúria?