Estudo para encontro de homens, mulheres e jovens. Tema: A cruz e a autoestima

A CRUZ E A AUTOESTIMA

INTRODUÇÃO 

TEXTO BASE: GÁLATAS 4:5-7

O que nos atraí
em Cristo? Espero que não sejam as descrições de sua majestade, mas de sua
humildade. O Pai só lhe deu um nome que está acima de todo o nome porque viu
que ele jamais cobiçou poder, mas servir. Ele não desejou um trono, mas uma
cruz. O Deus encarnado expressou, com mansidão e humildade, o jeito frágil e
terno como o Pai ama a humanidade

QUANDO VOCÊ APRENDE A FALAR PAPAI 

Uma vez que
Deus nos amou a ponto de mandar seu Filho para morrer por nós e, por meio dele,
nos adotou como filhos e filhas amados, livrando-nos da escravidão do pecado e
restaurando a dignidade da criação, somos levados a reconhecer que ninguém nos
ama e valoriza mais do que Deus. O Espírito nos revela não apenas que Deus é
“Abba Pai” como também que pertencemos a Deus como filhos bem amados. O
Espírito, portanto, restabelece em nós a relação da qual surge o significado
das demais relações. A melhor tradução de “Abba” é Papai. Abba exprime
familiaridade, segurança, confiança, pertença e, acima de tudo, intimidade.

Esta verdade,
além de nos salvar, nos faz sentir bem e nos leva a dar valor a nós mesmos e a
reconhecer o valor e dignidade do outro. A partir dela, podemos também concluir
que ninguém se interessa mais pelo nosso bem-estar, felicidade e realização do
que Deus.

IDENTIDADE BEM RESOLVIDA 

O Evangelho é o
ponto de partida para a afirmação da pessoa. É a revelação do Deus que nos
conhece como ninguém jamais nos conheceu e nos ama como ninguém jamais nos
amou. Não há autoestima real e verdadeira que não leve em conta esta verdade
bíblica. Um elemento fundamental na compreensão cristã da autoestima é o lugar
que a cruz de Cristo ocupa na revelação. É ela que nos revela a exuberância do
amor de Deus, que nos afirma e reconhece ao mesmo tempo em que desmascara o
pecado e nos convida a negar a nós mesmos e a renunciar tudo quanto temos para
seguir a Cristo. A cruz levanta o grande dilema sobre o significado moderno da
autoestima, o apóstolo Paulo, escrevendo aos filipenses, nos dá um testemunho
da autoestima a partir da vida redimida. Ele afirma: “Aprendi o segredo de
viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome,
tendo muito ou passando necessidade. Tudo posso naquele que me fortalece”.
A autoestima cristã nunca é baseada na carreira profissional bem-sucedida, na
nobreza da herança familiar ou num estado de espírito positivo. Antes, ela é
baseada somente e totalmente naquilo que Deus fez em Cristo por nós; é algo que
Deus realiza por nós e não aquilo que tentamos conquistar sem ele.

O TOPO DA CRUZ DEFINIU A ALTURA DA SUA ESTIMA 

A partir da
cruz, a afirmação ou negação, o ganhar ou perder, a necessidade ou a
abundância, não são definidores da autoestima ou da dignidade, mas o que somos
em Cristo Jesus. A condição de filhos e filhas amados do Pai eterno, que a cruz
conquistou a nosso favor, determina nosso novo estado. Neste contexto, a
autoestima não deve ser sustentada sob aquilo que pensamos a nosso respeito,
nem mesmo sob aquilo que os outros pensam sobre nós, mas sob o que Deus pensa através
da obra de Cristo na cruz por nós.

   
O dilema da autoestima no mundo moderno é intensificado pela agenda que a
cultura que nos cerca impõe sobre nós. Temos sido constantemente intimidados
por falsos conceitos de valor e reconhecimento que nos oprimem.

    Frequentemente
encontramos pessoas cristãs com uma estima baixa, com um senso de valor
inadequado, porque são prisioneiras do juízo que o mundo faz delas. Diante da
tirania da propaganda, essas pessoas não se acham bonitas, inteligentes,
bem-sucedidas, reconhecidas ou amadas porque o modelo cultural é falso e impõe
uma falsa compreensão de nós e do mundo. 

   
A visão de Isaías sobre Cristo nos ajuda a inverter tal juízo. Isaías declara
que ele era “desprezado e rejeitado pelos homens, um homem de dores
e experimentado no sofrimento. Como alguém de quem os homens escondem o rosto,
foi desprezado, e nós não o tínhamos em estima”
.
(Isaías53:3) O mundo não deu a ele nenhum valor, não tinha por ele nenhuma
estima – muito pelo contrário, o desprezou e rejeitou. Ele era o fraco e o
humilhado, mas no final, o mundo foi julgado por ele e não ele pelo mundo. 

    
O valor que Jesus tinha de si mesmo não foi determinado pela cultura que o
cercava, nem mesmo pela falta de reconhecimento ou pelas falsas expectativas
que as pessoas tinham dele. Seu valor pessoal esteve sempre sustentado
pelo amor com que era amado pelo Pai
.

CONCLUSÃO 

Uma compreensão
adequada da cruz de Cristo e sua implicação sobre a vida e o discipulado
cristão é o ponto de partida para a construção de uma estima real e verdadeira.
Tomar a cruz e seguir a Cristo dia após dia, negando o pecado, renunciando
nossas ambições mesquinhas, amando a Deus de coração e alma, doando-nos ao
próximo com compaixão e solidariedade, nos levará a amar corretamente a nós
mesmos. O reconhecimento de quem somos e a valorização das pessoas passam,
inevitavelmente, pelo Calvário.