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Lição 06 da EBD. Tema: A justiça de Deus

Lição 06: A Justiça de Deus

TEXTO ÁUREO: ”Com o puro te mostrarás puro e com o perverso te mostrarás indomável.” (Sl 18.26)

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Ezequiel 14.12-21

INTRODUÇÃO

É Importante compreender a estrutura do discurso de Ezequiel 14.12-21. Estaria o profeta partindo do genérico para o específico? Ou seja, de uma terra qualquer para depois se dirigir à casa de Israel? É o que parece. A primeira parte dessa palavra profética é genérica e a segunda é específica, dirigida a Jerusalém. A presente lição tem por objetivo mostrar e explicar a retribuição divina ao pecado de uma nação.

I – SOBRE A IDENTIFICAÇÃO DO JUÍZO DIVINO

Uma leitura atenta dos profetas do Antigo Testamento nos ajuda a compreender as ações de Deus concernentes à retribuição ao pecado.

1- O discurso profético. À luz das Escrituras, ficamos sabendo que a ira de Deus nunca acontece sem uma justa causa e nem mesmo sem um prévio aviso (Am 3.7). O Deus Javé de Israel procede dessa maneira para oferecer oportunidade de arrependimento (Jr 3.14; 38.17,18; Am 5.1-4,14,15). O perdão divino vem com o arrependimento como aconteceu com a cidade de Nínive (Jn 3.10). Mas o tempo dessa oportunidade já havia expirado para Jerusalém. A vontade de Javé é abençoar o seu povo e restaurar sua herança, mas como ajudar quem não se ajuda? Por isso o castigo é inevitável, trata-se de uma questão de justiça e santidade.

2- A primeira parte do oráculo (v.13). A expressão, ”[…] quando uma terra pecar contra mim>>, pode se aplicar a qualquer povo e em qualquer lugar e época. Existem inúmeras formas de Deus castigar um desobediente contumaz, que se recusa ouvir sua Palavra. Ele torna ”instável o sustento do pão” (v.13; 4.16; 5.16). Como isso é feito? A palavra profética esclarece com a carestia, fome e extermínio de seus moradores e até dos animais (Mt 24.7; Ap 6.8). Trata-se de uma grande crise econômica nacional, que chamamos de recessão financeira.

3- Descrição dos agentes do juízo divino (vv.17,21). É Javé quem manda as chuvas e fertiliza a terra e os campos (Jr 5.24; 14.22; Dt 32.2; Am 4.7,8). Ao invés de agradecer a Deus, eles agradeciam as abençoadas colheitas a Baal (Os 2.8). A seca era um sinal visível do castigo divino (Jr 12.4; Dt 28.23). A espada, linguagem figurada para designar a guerra, também resulta em fome e peste (Ez 6.3,12; 7.15).A fome é uma referência à escassez de alimento provocada pela destruição da produção agropecuária; a peste é resultado da epidemia causada pelas mortes nos campos de batalha. Mas, no versículo 21, o profeta acrescenta a figura dos animais ferozes. No versículo 21, o oráculo inclui Jerusalém como destinatária da profecia, de modo que podemos afirmar que essa palavra profética é para qualquer nação e época.

II – SOBRE A PETIÇÃO QUE DEUS NÃO ATENDE

Nós encontramos em Jeremias e Ezequiel duas situações hipotéticas de orações intercessória de justos que Deus não atende. O exemplo de Moisés e Samuel; o de Noé, Daniel e Jó.

1- Exemplos de intercessão pelo pe­cador. Deus aceitou poupar as cidades de Sodoma e Gomorra atendendo a oração intercessória de Abraão, isso se houvesse pelo menos 10 justos em Sodoma (Gn 18.32). Moisés e Samuel, dois baluartes de Israel, foram atendidos nas petições em favor do povo nos casos de pecados e rebeliões (Êx 32.11,14; Nm 14.19,20; 1 Sm 7.5,6,9; 12.19-25; Sl 99.6-8). Deus perdoou o povo reiteradas vezes. Israel se rebelou contra Deus, ainda no Sinai, com o culto do bezerro de ouro. Mas Deus perdoou-os e renovou o concerto com os israelitas (Êx 34.10). Inspirados nessas experiências dos homens de Deus que oramos, uns pelos outros (Ef 6.18,19; Tg 5.16), e intercedemos pelos pecadores, para que eles se arrependam e venham a Cristo.

2- Um castigo inevitável. As reite­radas rebeliões dos filhos de Israel ao longo de sua história, desde a peregrinação no deserto, levaram a nação a uma apostasia generalizada. Chegou-se a um ponto em que não havia mais retorno (2 Cr 36.15, 16). As Escrituras mostram que há situações em que Deus se recusa a perdoar a nação e até as pessoas, como aconteceu com Saul (1Sm 16.1). O profeta Jeremias intercedeu pelo povo (Jr 14.21), mas Deus endureceu sua resposta ao profeta, afirmando que nem mesmo Moisés e Samuel seriam atendidos se orassem em favor de Judá (Jr 15.1).

3- Quando Deus não atende a ora­ção intercessória de um justo. A Bíblia ensina que a “oração feita por um justo pode muito em seus efeitos” (Tg 5.16), mas quando o pecado ultrapassa todos os limites, Deus não atende tais orações intercessória. O “pecado para morte”, na linguagem do apóstolo João (1Jo 5.16), é a apostasia total tanto individual quanto coletiva que se aparta da fé e abjura o seu Deus (Hb 10.28,29). Isso é diferente do pecador que se arrepende. A apostasia é negar a fé que antes defendia, isso acontecia reiteradas vezes em Israel, mas no período final do reino de Judá, não havia mais remédio senão o juízo divino sobre a cidade de Jerusalém.

III – SOBRE A INTERCESSÃO DE NOÉ, DANIEL E JÓ

Estava chegando o tempo em que nem com a intercessão de Moisés e Samuel o povo seria poupado. Ezequiel refuta o imaginário popular de que Deus é obrigado a tolerar o pecado do povo por causa dos justos da cidade.

1- Por que o povo rejeitou os profetas? A geração dos profetas Jeremias e Ezequiel conhecia o relato da destruição de Sodoma e Gomorra. Se apenas 10 justos são suficientes para Deus poupar a cidade, por que destruiria Jerusalém com um número maior de justos? (Gn 18.32). Essa era uma das razões pelas quais a maioria não acreditava no juízo divino anunciado pelos profetas. Esse argumento pode explicar por que Ezequiel afirma que “ainda que estivessem no meio dela estes três homens, Noé, Daniel e Jó, eles, pela sua justiça, livrariam apenas a sua alma” (vv.14,20). Esse oráculo está entre os mais severos, veja que todas as vezes que os três justos são mencionados, vêm acompanhados da chancela de autoridade espiritual “diz o Senhor Jeová” (v.14) ou, “vivo eu, diz o Senhor Jeová” (vv.16,18,20).

2-”Noé, Daniel e Jó” (vv.14,20). Por que Daniel? Há quem se surpreenda em ver o nome de um jovem entre dois grandes e antigos patriarcas. Mas, a pergunta deveria ser invertida, pois Daniel era judeu, mas Noé, e Jo, não eram israelitas e viveram muito tempo antes da formação do povo de Israel. Porém, eram exemplos de justos, reconhecidos de todo o povo, pois adoraram e serviram o mesmo Deus Javé de Israel, Criador, dos céus e da terra (Gn 6.7,8; Hb 11.7; Jo 1.8; Tg 5.11). Mas, somente a justiça de Cristo é extensiva a todos os pecadores que crêem (Rm 3.22; 5.17-19).

3- O profeta Daniel. Nos últimos tem­pos, têm surgido questionamentos sobre a identidade do Daniel apresentado nesse trio de justos. São dois os argumentos para explicar não ser o profeta Daniel da Bíblia. Primeiro, a grafia do nome, que Ezequiel emprega Daniel, não é como Daniel usada no livro de Daniel; e, segundo, o fato de ser muito jovem para ser contado entre dois patriarcas antigos. Mas muitos expositores do Antigo Testamento consideram tais argumentos insuficientes, pois não se deve dar importância demais à ortografia, pois soletrações variantes nunca foram novidades na antiguidade bíblica. Além disso, Daniel era contemporâneo de Ezequiel na Babilônia, e era ministro na corte de Nabucodonosor (Dn 2.48,49). A reputação de Daniel pela sua fé e sabedoria se espalhou rapidamente entre os exilados de Babilônia (Ez 28.3).

CONCLUSÃO

Concluímos a nossa lição conscientes de que o enfoque da justiça de Deus nesse discurso de Ezequiel diz respeito à retribuição divina ao pecado. É importante ter em mente esse conceito para não se confundir com a justiça da teologia paulina, que justifica o pecador que crê em Jesus.

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SOBRE O AUTOR:
Josias Moura de Menezes

Possui formação em Teologia,  Análise e Desenvolvimento de Sistemas e Licenciatura em Matemática. É especialista em Marketing Digital, Produção de Conteúdo Digital para Internet, Tecnologias de Aprendizagem a Distância, Inteligência Artificial e Jornalismo Digital, além de ser Mestre em Teologia. Dedica-se à ministração de cursos de capacitação profissional e treinamentos online em diversas áreas. Para mais informações sobre o autor veja: 🔗Currículo – Professor Josias Moura

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