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HERMENÊUTICA – PRESSUPOSIÇÕES GERAIS DA INTERPRETAÇÃO

PRESSUPOSIÇÕES GERAIS DA HERMENÊUTICA

1.    O que é uma pressuposição?

O filósofo Hilton Japiassu define o termo da seguinte forma: “Algo que se toma como previamente estabelecido, como base ou ponto de partida para um raciocínio ou argumento”.

Outra definição é: Pressuposição é uma afirmação ou ponto de vista que tomamos como base para um conjunto de argumentos ou teoria que nos propomos a desenvolver.

2.    Toda ciência tem pressuposições

Toda teoria científica tem pressuposições. Quando Isac Newton formulou suas teorias, ele formulou três pressuposições, que ficaram popularmente conhecidas como as três leis de Newton. Estas leis físicas foram estabelecidas como  a base de toda sua teoria.

A teologia também possui pressupostos. Quando estudamos Deus pressupomos que Ele existe. Quando usamos a Bíblia para justificar nossas crenças, pressupomos que ela é um livro que tem autoridade espiritual.

Em muitas circunstâncias da vida humana agimos impulsionados por pressupostos.  Se resolvemos ir para um seminário pressupõe-se que o aluno tenha um chamado ou vocação. Ou apenas o interesse de adquirir conhecimento teológico. Quando uma pessoa viaja do Brasil para o Japão pressupõe-se pelo menos que: 1)A pessoa tem a passagem. 2)A aeronave tem boas condições de viagem. 3)O passageiro possui passaporte. 3) O piloto sabe dirigir o aparelho.

No processo de estudo hermenêutico, temos também pressuposições que norteiam as nossas reflexões. Examinaremos algumas pressuposições que utilizaremos em nosso estudo.

3.    quais são as pressuposições da hermenêutica?

3.1    A Bíblia tem autoridade espiritual e normativa.

Em questões de religião o homem se submete a um dos seguintes tipos de autoridade: A fonte das Instituições e Tradições, A fonte da razão e do raciocínio, A fonte das experiências pessoais, A fonte Bíblica.

3.1.1   Fontes de autoridade

  • A fonte das Instituições e Tradições.

Pessoas que adotam essa fonte de autoridade às vezes argumentam assim: “Eu creio dessa forma porque aprendi assim na Igreja”.  Ou ainda: “Agimos assim, porque há anos nossa Igreja faz assim.

A autoridade institucional tem seus acertos e erros na história. Portanto, devemos Ter cuidado quando fazemos uso da tradição das instituições para formular conceitos e princípios doutrinários. Um exemplo de erro na autoridade institucional, pode ser constatado na Igreja Católica no que se refere a adoração a Maria, imagens, e santos.

O próprio Cristo confrontou a tradição das instituições em Mt. 15. Nesta passagem Jesus contesta a tradição dos Anciãos.

  • A fonte da Razão.

Há pessoas que colocam seu raciocínio lógico em mesmo nível que a Bíblia. Por serem capazes de formular seus pensamentos sobre bases eficientes, acreditam que estes são seus nortes.

O racionalismo científico, e movimentos como o humanismo, que polarizam o homem como o centro do universo científico e espiritual, transformaram a razão em instrumento de autoridade normativa para o comportamento humano.

  • A fonte das Experiências

Há pessoas que aceitam suas experiências pessoais como fonte de autoridade de fé e prática. A tendência de transformarmos experiências pessoais em regras de fé e prática pode ser perigosa, pois poderemos estar admitindo a existência de princípios de conduta extra-bíblicos. Muitos movimentos heréticos começam ao admitirem que experiências isoladas de indivíduos se transformem em normas guia da coletividade. Em algumas culturas, é muito comum, os indivíduos serem guiados por sonhos e visões. Estas experiências místicas individuais, afetam o comportamento de comunidades inteiras.

É um grande erro,  admitirmos as experiências pessoais de um indivíduo como regra de fé e prática.

  • As fontes paralelas

Em alguns segmentos religiosos existe o que chamamos de autoridade paralela. Temos por exemplo o alcoorão, o livro dos Mormons, etc…. . Uma das características das seitas é a existência de autoridades paralelas.

  • A fonte Bíblica

A Bíblia deve ser fonte única de autoridade e fé. As outras fontes podem falhar. Conforme II Timóteo 3:16, a Bíblia foi inspirada por Deus. Por isso ela é o nosso único instrumento de fé e prática.

3.1.2   Maneiras de avaliarmos a autoridade bíblica em algumas passagens:

  • Uma pessoa age como quem tem autoridade, e a passagem explica se o ato é aprovado ou reprovado.

Como exemplo temos o relato de Gn. 3:4, onde Satanás fala como se tivesse autoridade. O contexto demonstra a invalidez da autoridade maligna.

Outro caso, é quanto Natã manda Davi construir o templo, como se tivesse autoridade em II Sm. 7:3. Pelo contexto vemos, que Deus não aprova a atitude do Profeta Natã(vs 4-17).

  • Uma pessoa age com atitude de autoridade, e a passagem não mostra aprovação nem reprovação. Neste caso, a atitude precisa ser julgada com base naquilo que o restante da Bíblia ensina sobre o assunto.

Como exemplo, temos o caso de Abraão, que foi para o Egito por causa da fome em Canãa. Com medo de Faraó matá-lo para apossar-se de sua mulher, ele pediu que sua esposa mentisse, dizendo que era sua irmã. (Gn. 12:10-20). A passagem não aprova nem reprova o comportamento de Abraão.

3.2    A Bíblia é inspirada

A forma como encaramos a teoria da inspiração, é um fator de influência determinante sobre a nossa interpretação. Se um estudioso é influenciado pelo antisobrenaturalismo, então sua interpretação bíblica elimina quaisquer possibilidades de milagres e intervenção do sobrenatural no natural.

3.3    A Bíblia pressupõe a existência de Deus, em vez de prová-la.

Na linha inicial da revelação temos: “No princípio criou Deus…”. A revelação pressupõe a existência de Deus. Nesta mesma revelação, não temos argumentos lógicos com a finalidade de comprovar a existência de Deus.

3.4    É necessário influencia espiritual para uma correta compreensão das escrituras

Será que uma pessoa sem o Espírito Santo pode entender a revelação? Sim. Porém esse entendimento será orientado em uma direção diferente dos objetivos do criador.

Temos visto muitas pessoas revelarem suas interpretações sobre a revelação. Alan Kardec, por exemplo, elaborou os evangelhos segundo o Espiritismo. Temos encontrado interpretações completamente estranhas de livros de natureza profética, como o que foi publicado recentemente por Paiva Neto da LBV. Neste livro ele, se propõe a analise o livro de apocalipse.

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SOBRE O AUTOR:
Josias Moura de Menezes

Possui formação em Teologia,  Análise e Desenvolvimento de Sistemas e Licenciatura em Matemática. É especialista em Marketing Digital, Produção de Conteúdo Digital para Internet, Tecnologias de Aprendizagem a Distância, Inteligência Artificial e Jornalismo Digital, além de ser Mestre em Teologia. Dedica-se à ministração de cursos de capacitação profissional e treinamentos online em diversas áreas. Para mais informações sobre o autor veja: 🔗Currículo – Professor Josias Moura

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